quinta-feira, 23 de maio de 2013

MENSAGEM AOS IRMÃOS DA ASSISTÊNCIA - Nº 3: Vestir o branco



O que significa a roupa branca na Umbanda?

A cor branca é um dos maiores símbolos de unidade e fraternidade já utilizados. Transmite a sensação de assepsia, calma, paz espiritual, serenidade e outros valores de elevação. A cor branca contem dentro de si todas as demais cores existentes. Portanto, a cor branca tem sua razão de ser na Umbanda, pois temos que lembrar que a religião que abraçamos é regida pelos Orixás, e tem Oxalá como regente da fé,  que tem como representação a cor branca e a irradia nos seres.

A roupa branca usada pelos médiuns nos traz o senso de IGUALDADE. É a vestimenta para a qual devemos dispensar muito carinho e cuidado. Jamais deve ser jogada fora ou doada,  e sim, deverá ser despachada, pois trata-se de um instrumento de trabalho do médium.

Em 16 de novembro de 1908, data da anunciação da Umbanda no plano físico e também ocasião em que foi fundado o primeiro templo de Umbanda, Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, o espírito Caboclo das Sete Encruzilhadas, entidade anunciadora da nova religião, ao fixar as bases e diretrizes do segmento religioso, expôs, dentre outras coisas, que todos os sacerdotes (médiuns) utilizariam roupas brancas. Mas, por quê? Teria sido uma orientação aleatória, ou o reflexo de um profundo conhecimento mítico, místico, científico e religioso da cor branca?


No decorrer de toda a história da Humanidade, a cor branca aparece como um dos maiores símbolos de unidade e fraternidade já utilizados. Nas antigas ordens religiosas do continente asiático, encontramos a citada cor como representação de elevada sabedoria e alto grau de espiritualidade superior. As ordens iniciáticas utilizavam insígnias de cor branca; os brâmanes tinham como símbolo o Branco, que se exteriorizava em seus vestuário e estandartes.

Os antigos druidas tinham na cor branca um de seus principais elos do material para o espiritual, do tangível para o intangível. Os Magos Brancos da antiga Índia eram assim chamados porque utilizavam a magia para fins positivos, e também porque suas vestes sacerdotais eram constituídas de túnicas e capuzes brancos. O próprio Cristo Jesus, ao tempo de sua missão terrena, utilizava túnicas de tecido branco nas peregrinações e pregações que fazia.

Nas guerras, quando os adversários oprimidos pelo cansaço e perdas humanas, se despojavam de comportamentos irracionais e manifestavam sincera intenção de encerrarem a contenda, o que faziam? Desfraldavam bandeiras brancas! O que falar então do vestuário dos profissionais das diversas áreas de saúde. Médicos, enfermeiros, dentistas etc., todos se utilizando de roupas brancas para suas atividades.

Se não bastasse tudo o que foi dito até agora, vamos encontrar a razão científica do uso da cor branca na Umbanda através das pesquisas de Isaac Newton. Este grande cientista do século XVII provou que a cor branca contém dentro de si todas as demais cores existentes. Portanto, a cor branca tem sua razão de ser na Umbanda. Assim como a cor branca contém dentro de si todas as demais cores, a Irradiação de Oxalá contém dentro de sua estrutura cósmico-astral todas as demais irradiações (Oxossi, Ogum, Xangô, etc.). A implantação desta cor em nossa religião, não foi fruto de opção aleatória, mas sim pautada em seguro e inequívoco conhecimento de quem teve a missão de anunciar a Umbanda.

O branco de fato é favorável para a prática da fé e dos trabalhos espirituais. Já ficaram claras as impressões do uso da cor branca e o que ela representa. Mas será que vestir o branco é simplesmente colocar uma roupa branca? E será que essa conduta se restringe somente aos dias de trabalhos espirituais? Será que somente os médiuns podem vestir o branco?

Sabe aquela expressão “vestir a camisa”? Sim, é dela que estou me referindo. Vestir o branco pode ser muito mais do que simplesmente colocar vestes brancas.

Na maioria das vezes vestimos aquilo que sentimos vontade e nos traz conforto. Uma calça jeans, uma camisa qualquer de uma cor qualquer. Ou queremos ficar bonitos, ou não queremos chamar a atenção de ninguém. Ou queremos impressionar, ou não queremos nada. Mas sempre estaremos “dizendo algo” com nossas cores mesmo que seja de pouca relevância. Isso é ciência!

Quando assumi vestir o branco em minha vida nem imaginava o que ele representaria. Não sei se eu o vesti ou ele me cobriu primeiro. Sem querer estava vestida de branco vivendo os primeiros passos conscientes da minha fé. Não entendia, mas sentia que assim tinha que ser. Em casa, sem orientação, sem um templo de Umbanda que tivesse me acolhido, sem fundamento e tentando lembrar de alguma coisa qualquer que eu pudesse ter como referência, resolvi colocar o que eu tinha de branco: uma blusinha velha - a minha vestimenta sagrada a partir de então.

Nas minhas intuídas orações era somente essa cor que me aparecia. Assim eu me via, de corpo e alma. Me via de branco, linda e irradiante. Não a beleza profana que me refiro. Mas a beleza por Deus me dada, a beleza de Deus em minha vida se manifestando.

O tempo passou, minha vida foi tomando um rumo. Encontrei meu lugar. E na hora certa, quando fui convidada para participar da corrente mediúnica, vesti a roupa branca por completo.

Foi uma energia imensa, como sempre é! Emocionante poder vestir esse branco. Mas o melhor disso tudo é que ele não é meu uniforme, mas sim a representação da minha fé manifestada em minha alma, sem vaidade.
Nem todos os dias são maravilhosos, sou uma pessoa normal, com minha rotina, afazeres, dificuldades, entre outras coisas. Não vivo vestida de branco, mas procuro vestir minha alma com essa cor.

Como já sabemos, agimos instintivamente às vezes, mas podemos reverter isso. Somos racionais. Por isso os convido para refletir sobre esse assunto: vestir o branco, “vestir a camisa”.

Vestir o branco:
Muitos irmãos médiuns devem ter seus testemunhos quanto a “vestir o branco”. Mas para os irmãos da assistência deixo minha dica: procurem, se possível, vestir o branco também. Em dias de giras, utilizem roupas claras, não venham todos de branco, mas pelo menos a parte de cima da vestimenta de uma cor clara.

Isso ajuda no trabalho espiritual. Cores escuras refletem energias turbulentas. Mesmo que você esteja com problemas, permita a assepsia da sua alma. Seja mais forte que seus problemas. Você perceberá que já em casa as coisas começarão a mudar porque você estará se manifestando de uma maneira diferente, dominando seu emocional.

Outro ponto positivo é que você ajudará a neutralizar ações negativas e turbulentas durante os trabalhos, pois estará colaborando com a cor/elemento para sua própria cura e dos demais irmãos.

“Vestir a camisa”:
Você poderá “vestir a camisa” da espiritualidade e da religião Umbanda quando você permitir sentir a paz, a tranquilidade, a fé, coragem, limpeza, leveza da alma. Quando você perder o medo e abrir seu coração para Deus, nosso Pai Criador e a partir desse momento acreditar que encontrará seu caminho.

“Vestir a camisa” é não ter medo de proferir sua fé! É bater cabeça para saudar os Orixás. É entrar em comunhão com a natureza, com o planeta e com sua alma. É não se sentir diferente ou culpado por estar bem em meio a tanta gente com dificuldades.  É viver a caridade! Ouvir seu irmão ao lado, rezar e torcer por ele! É cantar os pontos de louvação com amor!

É sorrir de corpo e alma por tudo que você tem, ser feliz pelo que você é, saber que tem tudo o que precisa para evoluir e que terá sempre algo a oferecer a alguém, mesmo envolto pelas dificuldades da vida.

E então? Vamos vestir o branco?

Axé!

Filha de Fé
Núcleo de Umbanda
Pai Ogum de Ronda e Cabocla Jurema







2 comentários:

  1. Muito bom filha, somos o exército branco de Oxalá, a cor que simboliza a paz, a pureza, a nossa fé em nosso Pai Olorum, nos Sagrados Orixás, Guias e Guardiões e Guardiãs Espirituais. Muito axé. Mãe Regiane.

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  2. Obrigada por ser minha mãe espiritual, por me acolher, permitir novos ensinamentos e até mesmo de despertar aquilo que esta adormecido em minha alma. Obrigada por ser instrumento de nosso Pai Olorum em minha vida e me inspirar confiança em buscar o caminho.

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